terça-feira, 7 de fevereiro de 2012



Boas malta, aqui vai mais bocadito. Espero que gostem! =)

O sangue massajava-me a língua à sua passagem – Delicioso! Nunca me senti assim antes, poderoso e inabalável, nada podia quebrar aquele momento, o meu momento.
Enquanto me alimentava só queria mais, estava insaciável. Sentia a minha vítima desvanecer à minha frente, mas não quis saber, tinha fome.
Após aproximadamente um minuto, finalmente parei. Sentia-me mais forte, sedento de poder e de matar, mais besta e, como que a confirmar, larguei o cadáver, levantei a cabeça e deixei escapar toda a satisfação num grito feroz, similar a um leão a reclamar o seu reino, mas mais alto.
Depois de saciada a fome, voltei a mim.
Agora era eu que estava paralisado e a tremer. Em frente a mim estava um corpo inerte no chão, com a cabeça lavada numa poça de sangue, a imagem fiel de uma chacina selvática. Só agora reparei que era um homem. Exibia duas marcas de dentes cravadas no pescoço.
- Não pode ser – digo olhando para as minhas mãos cheias de sangue. A imagem começou a distorcer, parecia que ia chorar, mas as lágrimas não caíram.
Não queria acreditar que tinha sido eu o causador daquele cenário. Queria sentir nojo, queria estar incomodado com aquela situação, mas não estava.
A porta à minha esquerda abriu-se, Diego e Florien voltaram a entrar em casa.
- O QUE É QUE VOCÊS ME FIZERAM? – cuspi de imediato olhando para eles.
- Peter, vais ter de aceitar a tua nova natureza – respondeu Diego calmamente.
Diego e Florien mantiveram-se impávidos e serenos a olhar-me e, infelizmente, a minha intuição dizia-me que o que me tinham contado há uns minutos atrás começava a ganhar contornos de realidade.
- Por favor – supliquei – expliquem-me o que acabou de acontecer, no que é que me tornei?
Não queria mais saber se era verdade ou mentira, aliás, eu já não conseguia distinguir, só queria uma explicação racional e tentar perceber, tal era o meu desespero.
- Peter – desta vez foi Florien quem tomou as rédeas da conversa e já não fazia uso do seu tom sarcástico – aquilo que aconteceu foi uma manifestação daquilo em que te tornaste, um vampiro. Sei que é difícil aceitar, também o foi para nós, mas o que aconteceu fala por si.
E apontou para o moribundo no chão. Depois prosseguiu.
- Quando chegámos ao local onde estavas, eu e o Diego demos contigo deitado no chão, quase sem pulso. Não ias safar-te. Então, o Diego decidiu transformar-te.
Desta vez não estava a custar-me tanto a crer no que ouvia. Deixei-me estar mantendo a minha pose, demonstrando que queria saber mais. Florien continuou.
- É importante que saibas que, entendendo a tua revolta, eu e o Diego estamos aqui para te apoiar e ensinar a viver entre nós.
- Entre vocês? – Perguntei de imediato surpreendido – quer dizer que há mais vampiros?
Tive de fechar os olhos para conseguir dizer a última palavra, pois encarei-a como uma aceitação daquilo em que me transformei. Dizê-lo, para mim, é sempre diferente de serem outras pessoas a fazê-lo, é como se a realidade se materializasse.
- Sim – Respondeu Florien – há muitos mais. Nós vivemos numa sociedade alheia à humanidade, o Umbro.











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sábado, 4 de fevereiro de 2012


Boas pessoal...aqui começa o novo capítulo da história. Espero que gostem.


Capítulo III

- Num…vampiro? – Perguntei incrédulo sem saber se devia rir ou chorar.
- Sim – respondeu Diego, demonstrando que estava preparado para esta reacção da minha parte.
- Mas vocês estão loucos? – explodi – O que me estão a dizer não faz o mínimo de sentido! Querem que eu acredite no que dizem? Só podem estar a gozar comigo.
Era a raiva que agora tomava conta de mim.
- Escutem, eu não sei onde estou, nem o que querem de mim. Mas sei que vim aqui parar porque me trouxeram. E não gosto!

Já estava de pé a apontar o dedo a Diego, a gritar completamente irado. Se houvesse vizinhos, iriam certamente ouvir.
Diego e Florien mantiveram-se impassíveis e não me responderam. Pareciam não recear que eu me tornasse agressivo. Estavam demasiado confiantes. Não sou propriamente um lutador, mas no que toca a situações de aperto, qualquer pessoa faz tudo por tudo.
- Quero uma explicação plausível!
- Peter, acalma-te – pediu Diego.
- Mas como é que tu queres que eu me acalme? – o meu tom elevava-se novamente.
No momento em que me preparava para os insultar, apenas tive tempo de ouvir Diego a dizer a Florien para avançar. Acção que Florien executou com uma rapidez desumana. Depois disso senti um empurrão na barriga e ouvi um pedido de desculpas e uma porta a bater.
Bastaram poucos segundos para recuperar. Nesse momento senti novamente o impulso electrizante a percorrer-me. Fiquei completamente tenso e com uma sensação de poder a fluir dentro de mim. Os meus dentes salientaram-se ávidos de sangue. Já estava agachado em posição de caça, sedento de matar e de…alimentar-me.
Ergui a cabeça e no meio do meu descontrolo, tive um momento de sobriedade. Crescia-me água na boca, parecia que não comia há semanas. Florien e Diego saíram e deixaram-me um presente.
À minha frente estava uma pessoa petrificada com o olhar fixo em mim. A sua expressão revelava pânico e que receava pela sua vida. Tinha razão para se sentir assim, a sua existência não ia ser duradoura. Tinha chegado a sua hora.
Senti-me sorrir com maldade e nesse momento, investi.
Já não estava sentado no sofá que ficava numa ponta da sala, saltei a distância que nos separava e ouvi um grito desesperado, mas não distingui o que disse, não era importante. Encontrava-me agora encostado à parede do lado oposto. Quando aterrei cerrei as mãos nos seus braços frágeis, podia jurar que lhe esmaguei os ossos, tal foi a força do aperto. Ganhei balanço com a cabeça e, com medo que a minha presa fugisse, fixei de imediato os dentes no seu pescoço. Rasguei a carne até sentir o quente e a doçura do meu alimento, o sangue. Rejubilei e comecei a sugar de forma instintiva, como se toda a vida me tivesse preparado para aquele momento e tivesse finalmente chegado a recompensa.






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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

E aqui vem mais um bocadinho da história, continuando o Capítulo II de New Born. Espero que gostem. Comentem =)



- Como te sentes?
Não conheço estes sujeitos.
- B-Bem – improvisei. Não ia revelar o que senti quando acordei.
Ele sorriu, parecia aliviado.
- Ainda não te podes mexer muito e vais demorar um pouco a restabelecer-te, mas estás no bom caminho.
O outro rapaz fitava-me com um olhar intrigado e em busca de algo, como se me estudasse.
- O que aconteceu? – atrevi-me.
- Lembras-te de alguma coisa? – Questionou parecendo avaliar se me lembrava de algo.
No momento em que a pergunta chegou ao cérebro senti um clarão metálico atacar os meus olhos - Um flash! – é muito vago e não dá para distinguir traços físicos, assemelhando-se muito a uma tela a lápis de cera esborratada. A visão é o único sentido que consigo utilizar. Não há barulho de fundo, cheiros familiares nem sensações.
Na visão vejo-me na rua. Outro pormenor, não há movimento. As pinturas vão e vêm, como quem conta uma história sem falar.
O resto daquela história conta que de um momento para o outro surgiram de frente mais personagens, duas talvez, que usavam vestes negras e pareciam conhecer-me. Um deles tinha algo indefinido na mão, também ela de cor escura. O desenho agora ficou maior como que a intensificar o momento, talvez um conflito. De súbito oiço algo uma e outra vez até me aperceber do que se trata.
Diego chama-me à realidade.
- Recordas-te de algo?
Parecia assustado.
- Não, nada mesmo. Estava a andar na rua e de um momento para o outro, estou aqui.
- Como te chamas? – Inquiriu-me.
- Peter.
- Bem Peter, eu chamo-me Diego e aquele - apontou com a cabeça sem desviar o olhar de mim – é o Florien.
- Prazer  – Acenou-me Florien num tom  seco e notoriamente irónico.
Senti uma certa hostilidade da sua parte, daquele rapaz que não seria certamente muito mais velho que eu. Devia ter os seus vinte e três anos, não era também muito alto tinha um metro e setenta e cinco no máximo, era magro e tinha cabelo castanho claro a condizer com os seus olhos também castanhos.
Diego por sua vez, era um pouco mais baixo, teria por volta de um metro e setenta, a sua idade não devia ser também muito superior à minha, era um pouco mais encorpado que o seu companheiro, tinha cabelo castanho um pouco mais escuro que o de Florien, os olhos eram azuis e tinha uns maxilares largos e salientes. Ambos tinham um ar misterioso e um aspecto físico que devia agradar bastante as raparigas embora tivessem uma tez um pouco pálida.
- Prazer – devolvi a Florien – mas… o que me aconteceu? Como vim aqui parar? Como é que…
- Hey! Calma rapaz! Uma pergunta de cada vez! – Interrompeu-me Diego.
Calei-me.
- Antes de mais nada – disse com um ar de quem escolhia muito bem as palavras – tenho de dizer-te que o que vais ouvir é extremamente difícil de aceitar e que terás todo o tempo para reflectir.
Embora começasse a assustar-me, a curiosidade estava a consumir-me, sempre fui assim, curioso e atento. Anui com a cabeça, como que a dizer-lhe que estava focado nas suas palavras e que podia continuar.
Percebendo a deixa Diego prosseguiu.
- Peter – disse num tom grave - tu foste vítima de um acidente e foste baleado num ponto vital.
Olhou para mim para ver como reagia. Vendo que ainda o olhava, continuou.
- E como tal, estavas a morrer.
Nesse momento o meu cérebro parou e deixei de ouvir o discurso de Diego.
Em tão poucas palavras já havia fixado ideias que não faziam sentido algum como baleado e – Morte!?! – deixei escapar alto, expressando a confusão que me assolava.
Ao ver a minha reacção parou de falar.
Estava a cumprir o prometido e a deixar-me assimilar – se é que é possível! – o que estava a dizer. Perante a ausência de mais reacções, arriscou continuar.
- Como eu estava a dizer Peter, estavas a morrer – o meu nome conjugado com aquela palavra fez-me confusão de novo mas desta vez não o desencorajei a prosseguir – e vendo que a tua única salvação – palavra nova, Salvação! - estava ao meu alcance, agi rápido e…
- E…? – perguntei com os nervos à flor da pele.
As palavras que se seguiram deixaram-me petrificado.
- Peter, transformei-te no mesmo que eu e o Florien.
Transformei-te num vampiro.





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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Boas pessoal, aqui está mais um bocadinho da história.


Capítulo II
 
Abro os olhos.
A primeira sensação que tenho é a de uma descarga de fúria e sensação de poder a percorrer o meu corpo. Sinto os músculos tensos e todas as veias a pulsar. Um fino fio de sangue a escorrer pela minha mão, desperta-me para o facto de estar com os punhos cerrados com uma força anormal. Sinto as unhas cravadas na minha própria carne, no entanto, é só isso. Não há sinal de dor.
Fascinante! – Digo entre dentes enquanto olho para a mão e admiro o líquido escarlate. É como se estivesse a olhar para o mais fantástico dos tesouros. Quero-o.
Reparo no facto de estar a debater-me, inconscientemente, contra a vontade de projectar os dentes incisivos para a frente e de me colocar em posição de ataque, qual fera à espera do momento certo para atacar a sua presa.
Mas o que está a acontecer-me? – Fazendo um reparo em mim próprio. Isto é repugnante, dá-me nojo.
Fecho os olhos e abano a cabeça como se estivesse a forçar-me a acordar de um pesadelo horrível.
Uma vez afastados estes instintos, volto a abrir os olhos.
Começo por ver um manto branco e baço, como se estivesse a usar uns óculos bastante riscados e com demasiada graduação, sem precisar de os usar.
Pestanejo umas quantas vezes na tentativa de dissipar a névoa da minha vista e sou bem sucedido, já só vejo manchas consideravelmente mais pequenas o que me permite explorar em meu redor.
Estou num apartamento! - constato.
As paredes são aparentemente lisas e de cor branca, embora aparentem a sujidade própria do desgaste do passar do tempo.
Elevo um pouco a cabeça de forma lenta e gradual na esperança de não sentir dor por mexer o corpo. Curiosamente e contra o esperado, funcionou.
Desta feita arrisco a elevar-me um pouco mais até à posição de sentado e continuo bem, embora ligeiramente atordoado.
Muito rapidamente percorro o resto da divisão.
Não a encontro muito mobilada, faz-se decorar apenas com dois sofás de pele pretos, sendo um deles onde estou sentado, uma mesa castanha claramente muito antiga com quatro cadeiras a condizer em seu redor e uma secretária enorme também com aspecto antiquado.
Em cima desta está também um candeeiro que me chama a atenção. É bonito. A parte que envolve a lâmpada é verde escura e a sua base é dourada, uma réplica perfeita dos candeeiros que são utilizados nos filmes e nas telenovelas. Não emana muita luz, mas também não é preciso, ao fim de alguns segundos já tenho a visão em pleno, limpa e imaculada, aliás, até parece melhor.
Ao explorar a sala sinto-me a viajar no tempo. Umas boas décadas atrás. No meio de toda aquela simplicidade de decoração, toda a mobília é rústica e ornamentada  aparentando ter bastantes anos de existência, apesar do seu bom estado de conservação. Embora me pareça um pouco inadequada para a época em que estamos, revela elegância.
Mas no meio de tudo isto há algo que me atrai mais a atenção, as duas figuras que se encontram à minha frente, atentos aos meus movimentos.
Um deles aproximou-se.





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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Boas pessoal, aqui está a continuação da publicação da semana passada, a continuação da história "New Born".

Leiam e comentem =)

Capítulo I

Sinto-me leve e a ir ao fundo tal como um barco a afundar-se em alto mar, os meus braços e pernas dançam livremente como se não se tivessem vida. Não sei onde é o fim, só sei que em cima e em baixo está escuro. Mas curiosamente não sinto falta de ar aliás, tenho a sensação que aqui onde estou, tudo é calmo e sereno – será isto o paraíso? Não é nada do que ouvi falar, onde estão os anjos para me guiar? Onde está a figura omnipresente e julgadora dos meus actos? - De repente reparo que ao longe, em cima de mim como que a vigiar-me, está um rasgo de luz – quero vê-la de mais perto – penso para mim, mas agora sinto-me pesado, parece que alguém aumentou a gravidade e me colocou um peso de cinquenta quilos às costas – não interessa! – Grito para mim - Quero mesmo saber o que é aquilo, quero saber o que está a acontecer!
De um momento para o outro já não estou confortável aqui, sinto a respiração menos eficaz e superficial. Começo a entrar em pânico, sinto tremores de fraqueza nas pontas dos meus dedos, a boca do estômago contrai-se também em desespero. Quero gritar mas o ar não passa na garganta, a tensão nas pernas aumenta e os músculos endurecem. Estou a deixar de respirar. – Percebi finalmente – Não, nem pensar! – Disse para mim – Não vou desistir enquanto não perceber o que é aquela luz! – Não sabia porquê, mas tinha a sensação que tinha de a ver, de a perceber, mais louco ainda, sentia que aquela luz me pertencia, como se de uma parte do meu corpo se tratasse. Mexi os braços e as pernas, comecei a aproximar-me do clarão, mas à medida que o faço sinto que estou num carrossel a girar descontroladamente – Aguenta – o meu redor não pára de girar – já estou quase – agora sinto algo espesso à entrada da boca, quero vomitar – só mais um esforço – Abro a boca o mais que posso e, embora sabendo que era um grito mudo, canalizei a força que me restava nos pulmões e no corpo todo para o fazer – Cheguei!

Mas desejei nunca o ter feito. Mal estabeleci contacto com a claridade senti-me sugado para dentro de um turbilhão e se o carrossel já custou a aguentar, agora foi mil vezes pior, senti todas as partículas do meu corpo saírem do seu lugar e juntamente com essa sensação, veio a dor. Uma dor progressiva, espontânea e intensa, a levar-me ao limite. Sentia-me a ser puxado e torcido em todas as direcções como se de borracha me tratasse. Mas não sou e de um momento para o outro, o meu corpo parou de resistir e cedeu. Nesse momento senti uma explosão dentro de mim. Tenho a sensação que se fosse uma bomba atómica, poderia ter arrasado um continente inteiro com o impacto. Agora tal como outrora, veio a paz e a brisa da tranquilidade.
De súbito comecei a ouvir algo.

- Mas tu estás louco? Onde é que estavas com a cabeça Diego? – Gritava um rapaz a outro com uma expressão de raiva evidente.
- Acalma-te Florien.. – Respondeu o rapaz com um tom calmo e suave.
- Eu ainda não acredito no que fizeste! Nem parece teu.
- Tive as minhas razoes e já te expliquei. Não há motivos para ficares assim, vamos integrá-lo, ensiná-lo e…
- Então podes começar Diego. Ele acabou de acordar.




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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Eis aqui a minha primeira experiência a escrever, sob a forma de um pequeno excerto de uma história que estou a criar. Leiam e comentem... ;)


New Born

Prólogo

Primeiro o som ensurdecedor, depois a sensação do metal a rasgar a minha pele, penetrar o músculo, furar o osso e por fim, o órgão.
Sentia o meu corpo imóvel no chão a ser regado pela chuva que caía, era agradável, fazia-me esquecer a dor que sentia no peito.
Comecei a sentir o sabor do ferro na boca, sabia muito bem o que era, sangue, o meu sangue.
De repente e sem aviso vieram os tremores, a minha temperatura corporal estava a descer a um ritmo elevado, estava a ficar com frio.
Vieram-me à cabeça recordações, não, memórias. Não me lembrava de alguma vez ter retido na minha cabeça o que agora via tão claramente, momentos em que andava atrapalhadamente apoiado nas paredes e nos móveis.  
Meu deus! – pensei – Eu devia ter pouco mais de um ano, isto foi há vinte anos atrás! 
Depois outras memórias, o meu quarto aniversário, a primeira bicicleta, a primeira namorada, estava a ver o filme da minha vida. Sim, estava a morrer e mesmo assim sorri ao rever as minhas recordações.
Ainda sobre um manto de chuva e com a sensação de uma linha muito ténue a ligar o meu espírito ao corpo ouvi passos. A dor que até então tinha sentido não era nada comparada com o que comecei a sentir após uma espécie de… mordidela?
Como se de ácido se tratasse, comecei a sentir-me a arder, uma dor que estava a levar-me ao desespero, estava a percorrer todo o meu corpo, estava a sentir o fogo a espalhar-se e a queimar cada vez mais e, levado pela loucura senti um grito a sair-me pela garganta, era um grito de dor insana, não deve ter demorado mais que uns segundos mas a mim pareceu-me uma eternidade.
Depois parou e senti-me calmo. Já não sentia a dor a inundar-me mas sim aquela chuva que esteve sempre a acompanhar-me naqueles momentos. A dormência tomou conta de mim e por fim, fechei os olhos com um suspiro.



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